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Pétalas de rosas - Apesar de belas,
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O
cômico no amor
Histórias reais mostram que a primeira 'roubada amorosa' também
não se esquece
oi
paixão à primeira vista. Quando viu aquela morena estonteante,
o fotógrafo Renato*, de 41 anos, amargava uma fossa brava no Bar
Supremo, na chique região dos Jardins em São Paulo, após
ter brigado com sua namorada. Ele era assíduo do Supremo mas nunca
vira a morena por lá. Desconfortável com os olhares que
ela lançava, Renato relaxou após uns uísques e ficou
até satisfeito quando a moça foi até sua mesa e,
sacando de um bloco de notas, rabiscou que estava afônica mas não
cega - e que ele era de fato muito interessante. Um tanto de uísque
mais tarde, mal se aguentando nas pernas, Renato aceitou de bom grado
a carona oferecida pela garota.
O que se passou
a partir de então foi uma noite tão estupenda quanto inacreditável:
ela se recusou a deixá-lo subir sozinho até o apartamento,
e, lá, simplesmente o desnudou e o amou com ferocidade. Ao acordar,
tonto do excesso de uísque, Renato ficou aterrado. A seu lado,
dormindo, estava a namorada - a mesma com quem brigara antes de conhecer
a bela morena afônica.
Que, aliás, onde se metera?
Tentando encontrá-la, tropeçou e esborrachou a cara na quina
da cama. Foi socorrido pela namorada, levou dois pontos no supercílio
direito e por fim entendeu o que maquiagem, peruca e um bocado de uísque
podem fazer - a morena era a própria namorada. "Eu só
queria brincar com ele, quebrar o gelo da briga", diz a advogada
Sueli, 39, a então namorada de Renato. "Pensei que ele sabia
quem eu era e que estava se divertindo. De manhã é que percebi
quanto aquilo tinha ido longe."
Histórias
como a de Sueli e de Renato podem parecer fantasiosas mas, em maior ou
menor grau, vivem acontecendo. De certa forma, o cômico e a paixão
costumam andar de braços dados. Isso vale especialmente para aqueles
apaixonados que se deixam arrebatar pela cena amorosa. O caso da assistente
social Larissa, de 32 anos, é emblemático. Ela vinha namorando
um rapaz há coisa de três meses e, por mais que tentasse,
a história não engrenava.
Foi quando surgiu
aquela viagem de um dia, a trabalho, para o Rio. Larissa estava no Santos
Dumont, já voltando a São Paulo, quando o celular tocou.
Era um executivo da empresa em que trabalhava. Eles haviam flertado tempos
atrás mas não passara disso. Agora, ele a convidava a sair.
"Estou
no Rio", ela engasgou.
"Eu sei",
ele respondeu. "E eu em São Paulo, perto do aeroporto, esperando."
"Tá
bom", ela disse impulsivamente, "não saia daí."
Ele a aguardava
no carro com uma garrafa de vinho e taças. Os dois ficaram ali
conversando e se beijando, mas ele tinha de cumprimentar uma amiga que
fazia aniversário. Resolveram passar
rapidamente na festa e depois continuar o que estavam fazendo. Logo ao
entrar na festa, Larissa gelou. Parecia impossível mas, abraçado
à aniversariante, estava ninguém menos que seu namorado.
Quando a viu, ele também ficou consternado e, em seguida, irritado:
"Você
não ficou de me ligar quando voltasse?", rosnou.
"E você
não ficou de esperar minha ligação?", ela reagiu.
Depois do tiroteio
verbal, cada qual foi para um canto. Larissa saiu de lá com o executivo,
ambos desconcertados. Terminaram a noite juntos em um motel.
"Foi bom
e foi ruim", conta ela. "Percebi que não era aquilo que
eu queria, mandei um longo email a meu namorado tentando explicar a confusão
e, a partir daí, salvamos a relação", diz a
assistente social que, um ano mais tarde, casou com o namorado.
A comicidade
no amor, porém, nem sempre tem happy end. Para o psicólogo
Cláudio, 29, o resultado da impulsividade se estendeu a dez dias
de afastamento do emprego. Ele se encontrou com a esposa depois de um
mês longe do Brasil e, ainda no aeroporto, viu nas mãos dela
um par de coleiras de couro, daquelas usadas por cães, novinhas.
As peças fechavam com fivelas.
"Pensei
em comprar algemas", riu ela, "mas só encontrei uma petshop
pelo caminho."
Atado à
cabeceira da cama e febril com a desenvoltura da amada, Cláudio
se empolgou o bastante a fazer todas as peripécias que sua condição
amarrada permitia - e talvez até um pouco mais. Quando ela resolveu
soltá-lo, Cláudio mal mexia os braços. Com a empolgação,
tinha conseguido luxar os dois. Resultado: uma semana e meia na tipóia.
Como
se vê, as estripulias da paixão podem deixar marcas que demoram
a passar. Mas há casos em que elas simplesmente não passam.
Para a restauranteur Ana, de 39 anos, a lembrança de um
affair vivido há dez anos é algo que a acompanha
até hoje. "Tive um romance com um cara que costumava vir a
meu restaurante tarde da noite. Numa daquelas madrugadas ficamos os dois
sozinhos. Fomos até a cozinha tomar um café e não
deu pra resistir. A gente se jogou na mesa e, no calor do movimento, acabei
parando sobre o fogão. Meia hora depois a gente estava na ala
de queimados do Hospital das Clínicas. Ganhei um carimbo na bunda
que parece tatuagem", se diverte agora Ana.
Mas a graça
não precisa ser dolorida para merecer lembrança. Então
estudante universitário, o professor Mauro estava em plena cumplicidade
com uma colega de classe dentro do carro, em dos estacionamentos da Universidade
de São Paulo, quando escutou murros sobre a capota. Semidespidos,
ele e a namorada viram no escuro da noite as pernas longas de um cavalo
do lado de fora. "Abri a janela para espantar o bicho mas uma mão
segurou meu braço. Gelei. Era um dos guardas montados que fazia
ronda no campus", conta Mauro.
Guarda: "Vocês
não podem ter vindo aqui para fazer uma coisa dessas..."
O casal: "Claro
que não viemos pra isso! Viemos para as aulas. Mas está
na hora do intervalo."
O policial não
pestanejou:
"Carteirinha!"
Eles entregaram
os documentos escolares. O guarda olhou detidamente as carteirinhas, mirou
os dois no carro e por fim devolveu os documentos:
"Ah, então
tá tudo certo", disse se afastando sem mais uma palavra e
deixando o casal atônito.
As boas lembranças,
especialmente quando envolvem situações-limite como a vivida
pelo professor Mauro, muitas vezes só ganham o brilho da comicidade
quando o tempo passa. Na hora, elas surgem como aterradoras. Mas dizem
que o primeiro amor não se esquece. E, se isso é verdade,
também deve ser que a primeira roubada amorosa é
igualmente inesquecível.
(* os nomes foram suprimidos a
pedido dos entrevistados)
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